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Texto - Contando Histórias - Fragmentos para uma história junguiana no Espirito Santo

29 de Maio de 2017
Fabrício Fonseca Moraes

Nota: Este texto foi publicado originalmente em  18 de março de 2016 no blog "Jung no Espirito Santo".  Sendo revisado em 29 de maio de 2017 para a publicação no CEPAES

Os junguianos são por natureza contadores de histórias seja por meio de mitos, contos de fadas, lendas dentre outros. As histórias nos constituem tanto individual quanto coletivamente. A história junguiana capixaba faz parte de minha história pessoal desde o ano 2000 quando me descobri na psicologia junguiana. Ao longo de pouco mais de 15 anos de vivência junguiana, participei de várias atividades, congressos e conheci várias pessoas e sobretudo ouvi muitas histórias.

Em algumas oportunidades contei essas histórias para o Grupo Aion por considerar fundamental conhecer e nos reconhecermos parte dessa história.  Entretanto, há bem pouco tempo, eu me dei conta que não havia escrito nada dessas histórias... Assim, acho oportuno contar um pouco dessas histórias do movimento junguiano no Espirito Santo, não como uma historiografia, mas como “causos” histórias que ouvi e passo adiante. De antemão peço desculpas e aviso: estes são apenas fragmentos...

 

Primórdios anos 70 e 80

A psicologia junguiana no Espirito Santo tem suas raízes entrelaçadas com o desenvolvimento da psicologia em nosso estado nos anos 70. Nessa época não havia o cursos ou faculdades de psicologia no ES, assim os psicólogos que aqui trabalhavam vinham de outros estados. Nesse período eu gostaria de destacar dois nomes: Helvécio Siqueira da Silva e Solange Missagia de Mattos.  

O professor Dr. Helvécio da Siqueira e Silva foi um dos fundadores do curso de psicologia da Universidade Federal do Espirito Santo, em 1979, se formou em psicologia em Minas Gerais, realizando doutorado na Universidade católica de Louvain, na Bélgica, em 1975[1].  Após retornar ao Brasil, ele criou um projeto social na região de Domingos Martins, com jovens em situação de risco, chamado Gritza que significava burburinho, que envolveu estudantes de diferentes cursos até que em meados da década de 80, o Gritza chegou ao fim, sua experiência foi em parte relatada em seu livro “Joca Pivete – o menor violentado”, publicado em 1987. ,

Gritza – Comunidade Agrícola – é uma sociedade civil sem finalidades lucrativas. Localiza-se no antigo povoado de Panelas, hoje despovoado! Junto à sede (Campinho) do município de Domingos Martins, ES. Fundada em 1977, encerrou parcialmente suas atividades no início de 1985. Nunca tendo urbanizado as crianças que lhe foram confiadas, temendo violenta-las, não encontra mais motivação para continuar ajudando-as de agora em diante: a roça, com o descalabro com que as autoridades tratam a agricultura, agoniza nesses povoados! Nossas crianças tornando-se adultas, devem voltar para as cidades, onde recomeça o circulo infernal que elas conheceram : marginalização – criminalidade... (SILVA, 1987,p.181)

Ao longo anos 80, o prof. Helvécio ofereceu cursos junguianos e praticou psicoterapia de grupo e individual na abordagem junguiana. A respeito do prof. Helvécio, a psicóloga Sueli Martins, nos cedeu o seguinte relato

Helvécio era a pessoa que mais dominava a teoria e a pratica junguiana que conheci.  Mas conhecia muito de outras teorias também. Um cara muito inteligente, diferenciado, fora da curva mesmo. Ao mesmo tempo muito rebelde

Talvez por isso despertasse sentimentos extremos nas pessoas, colegas, alunos, discípulos. Ou era amado ou odiado. Um cara a frente de seu tempo.

Inicialmente criou a Gritza para atender a comunidade carente do interior, onde morava. Depois passou a atender em uma base em Vitoria, onde passou a promover a formação em psicologia analítica, psicanálise e ludoterapia e nós os formandos fazíamos os atendimentos sob sua supervisão.

Em paralelo também fui paciente dele em sessões de grupo que não se restringiam aos formandos. A princípio tudo isso pode parecer no mínimo estranho, mas era uma situação que ele administrava muito bem.

Com seu falecimento algumas pessoas ainda tentaram dar continuidade ao projeto que infelizmente não vingou. Mas vale lembrar que de alguma forma ele mesmo já tinha tomado algumas ações, como por exemplo, algumas altas de pacientes, redirecionamento de outros para outros profissionais etc...

O Prof. Helvécio foi o primeiro junguiano e o precursor da psicologia no Espirito Santo. Infelizmente, em 07 de julho de 1990, o prof. Helvécio veio a falecer num acidente de carro.

Ainda nos anos 70, temos a experiência de Solange Missagia Mattos, psicóloga, uma das pioneiras em saúde mental em nosso estado, que trouxe um pouco da experiência de Nise da Silveira para o ES. Abaixo, segue um relato que a mesma gentilmente nos concedeu

Fiz o Curso de Psicologia na PUCMG onde obtive o título de Bacharel em Psicologia em 1974 e Psicóloga em 1975. Naquela ocasião a psicologia clínica era pautada na teoria do comportamento, psicoterapia rogeriana e psicologia existencialista - O psiquiatra que ministrava psicopatologia era freudiano. A psicanálise, naquela ocasião, era restrita apenas aos médicos. Mas tive a oportunidade de ler algo sobre Jung através dos jesuítas de BH.

Quando cheguei em Vitória ( 1977), meu primeiro emprego foi no Hospital Adauto Botelho. Alguns psiquiatras conheciam a Dra Nise por terem sido alunos do psiquiatra Adauto Botelho, colega de Profissão de Drª Nise no Hospital Pedro II do Rio de Janeiro. O Hospital de Cariacica, pertencente à então Fundação Hospitalar do Espírito Santo, recebeu o nome de Hospital Adauto Botelho, em homenagem ao referido colega de Drª Nise e professor de psiquiatria dos primeiros psiquiatras de Vitória.

Em vista disso, tive “carta branca” do Drº César Mendonça e Drº Alcides  Pereira da Silva, então diretores da Fundação Hospitalar do Espírito Santo, para um estágio de 15 dias na Casa das Palmeiras. Quem me apresentou esse lugar, em 1978, foi um estudante de psicologia e seminarista jesuíta, Álvaro de Pinheiro Gouvea, que hoje é professor do Curso de Especialização  em Jung na PUC-RJ.

Para realizar o trabalho de Praxiterapia[2] implantado no Hospital Colônia  Adauto Botelho, entrei em contato com a Universidade do Espírito Santo a fim de divulgar e abrir estágio para os alunos de Belas Artes e Educação Física[3]. Os estagiários do Curso de Belas Artes e Educação Física eram remunerados pela Fundação Hospitalar do Espírito Santo, seguindo as normas dos estagiários de medicina.

Quando Helvécio chegou na UFES, tornamos amigos. Além da sintonia junguiana, ele tinha sido formado na PUC MG, mesma faculdade que eu estudei. Conversamos em diversas ocasiões sobre seu trabalho com os meninos em seu sítio em Campinho, um trabalho alternativo ao da instituição estatal.. Nessa ocasião, convidou-me para assumir uma cadeira no Curso de Psicologia da UFES, mas eu não tive coragem de renunciar ao trabalho de Praxiterapia no Hospital Adauto Botelho.

Além do estágio na Casa das Palmeiras, continuei indo ao Rio de Janeiro, participando de grupos de estudos na residência da Drª Nise em Botafogo. Nada havia em Vitória antes de minha chegada, pelo menos que eu tivesse conhecimento.

A história de Jung no Espírito Santo iniciou então com a história da Psicologia Clínica no estado. Quando cheguei em Vitória, fiz parte de um pequeno grupo de psicólogos clínicos.  Na Fundação Hospitalar do Espírito Santo não havia quadro de psicólogos. Só em 1978 é que foi incluído.

Nos anos 80  Helvécio reunia com alguns psicólogos e alunos de psicologia da UFES  em se sítio em Campinho e em seu consultório no centro de Vitória, à Rua do Rosário, 244 sala 301 – centro de Vitória, ES.

Nos anos 90 havia um psicólogo chamado Irâ ?, ligado à Educação na UFES que soube ser de linha Junguiana, mas nada mais posso informar. Percebo que tudo muito isolado.

Quando surgiu o Instituto Brasileiro de Psicologia e Psicossomática, fiquei feliz por poder retornar aos estudos junguianos. Havia bons professores, vindos do Rio, pertencente ao Instituto Junguiano do Rio de Janeiro, filiado à AJB e IAAP. Mas não conseguiram dar continuidade. 

Após se aposentar do serviço público no ES, no início da década de 2000, Solange Missagia de Mattos retornou a Belo Horizonte, onde realizou sua formação de analista junguiana pelo Instituto C.G.Jung de Minas Gerais, membro da Associação Junguiana do Brasil(AJB) e da International Association for Analytical Psychology(IAAP), junto a Carlos Alberto Correa Salles(falecido ano passado), e atualmente é doutoranda na UFMG. Apesar de residir em Belo Horizonte, Solange Missagia nunca deixou de atender no ES, vindo regularmente ao ES, sendo a única analista junguiana membro da IAAP em nosso Estado.

Anos 90: Reinícios

Assim, os anos 90 começaram com a morte do prof. Helvécio e uma desmobilização dos alunos que o acompanhavam, assim, muito de seu trabalho se perdeu.  

Outros movimentos e pessoas surgiram no cenário junguiano daqueles dias e se mantiveram até hoje, outros viveram intensamente aquele momento e se dispersaram. Desses, eu gostaria de citar surgiram profissionais inicialmente isolados como Joel Fernando Brinco Nascimento, Luis Fernando Gomes Magalhães e Fernando Antônio Furieri e Kathy Amorim Marcondes.

Desses nomes, Joel Fernando Brinco Nascimento esteve ligado aos trabalhos de Helvécio no Gritza, tentou dar continuidade as atividades  de Helvécio oferecendo cursos, grupos de estudo, seminários e palestras, além das atividades clinicas, veio a ter algum destaque na década de 2000, com estudos vinculados a psicologia arquetípica e imaginal.

Nos anos 90, outro profissional que entrou no cenário junguiano capixaba  foi Luiz Fernando Gomes Magalhães, psicólogo de Minas Gerais, que veio para o Espirito Santo. Luis Fernando se dedicou sobretudo à prática clínica, com grupos de estudo e supervisão e cursos ministrados especialmente de introdução a psicologia analítica e sonhos.

No incio dos anos 90, um grupo de estudantes de psicologia da UFES (Flávia de Macedo, Alessandra Jantorno, Marcus Welby -in memorian - Gabriela Andrade e Luciana Aquino Vidigal) que eram muito interessados em psicologia analítica, participando de atividades (congressos) e cursos fora do estado. Estudaram Jung de forma independente e posteriormente procuram o psicólogo junguiano Luis Fernando Gomes Magalhães para supervisão e orientação. Este grupo durou de 1991 a 1999, e foi dissolvido por divergências internas. Acho importante mencionar este grupo, pois, foi um grupo independente de estudantes cuja iniciativa foi comentada por alguns anos.

Em 1995, surgiu o programa de Extensão “Portas – apoio psicológico ao paciente renal crônico” integrado a equipe da Enfermaria de Nefrologia do Hospital da Associação dos Servidores Públicos em Vitória (ES), realizando o acompanhamento psicológico de pacientes com Insuficiência Renal Crônica (IRC) que são assistidos pelo Instituto de Doenças Renais (IDR).[4] Esse projeto foi organizado pela Professora Drª Kathy Amorim Marcondes atendendo a solicitação do Dr. Michel S. Zouain Assbú para atender às crianças submetidas ao tratamento de hemodiálise durante o processo de hemodiálise, com o tempo, o projeto se expandiu para todos os pacientes da enfermaria. Foram trabalhadas técnicas psicopedagógicas, hipnose ericksoniana e projetos diversificados. Concomitante ao desenvolvimento do projeto, a prof. Kathy realizou um projeto de pesquisa chamado “Modelos Epistemológicos da Psicologia”, concluída em 1998, onde estudando física quântica se deparou com inúmeras referências a Carl Gustav Jung e, a partir desse projeto iniciou seus estudos em psicologia junguiana, criando um grupo, em 1998, chamado de “Grupo da Sexta-feira”. Simultaneamente, a prof. Kathy passou a ministrar a disciplina “Psicologia da Personalidade III” cuja ementa psicologia analítica.

Juntamente com os estudos deste grupo, o programa portas foi assumindo um caráter junguiano. Se tornando, uma referência para os interessados em psicologia analítica na UFES.

Nos finais dos anos 90, o médico psiquiatra Fernando Antônio Furieri, um médico visionário especialista em acupuntura e homeopatia, sempre disposto a trabalhar com novas tecnologias e buscando formas integrativas. Foi sócio de uma instituição chamado “Instituto Brasileiro de Psicologia e Psicossomática”, que nos finais dos anos 90 e inicio dos anos 2000, ofereceu cursos de saúde na área de homeopátia, psicossomática, acupuntura vinculados a Facis Ibehe, trazendo nomes como do prof. Waldermar Magaldi para ministrar aulas no ES. Chegou oferecer o curso de especialização em psicologia junguiana, mas não abriu turma – ofereceu uma formação livre em psicologia analítica, que só abriu uma turma. Houve uma tentativa de aproximação do Instituto C.G.Jung do Rio de Janeiro, mas, não foi adiante.   

Anos 2000: Ocupando espaços

A década de 2000, foi marcada por uma expansão da psicologia junguiana no ES, conforme comentamos acima, no final dos anos 90, o Instituto Brasileiro de Psicologia e Psicossomática abriu uma formação em psicologia analítica, que teve apenas uma turma entre 2000/2001. Nessa mesma época, a professora Kathy passou a desempenhar um papel mais ativo na psicologia junguiana, com cursos de introdução a psicologia analítica (tanto na UFES quanto fora) e,  a partir de 2002 quando, a pedido de uma turma de alunos finalistas, a professora Kathy abriu estágio clínico supervisionado na abordagem junguiana na UFES. Dessa forma, a professora Kathy se tornou uma referência junguiana para todos os alunos da UFES e outros interessados em psicologia analítica.  

Em outra frente, a prof. Ms Angelita Viana Correa Scárdua, no período de 2002 a 2006, deu aulas no “Instituto de Ensino Superior e Formação Avançada de Vitória” (FAVI) no curso de psicologia, onde ministrou disciplinas associada a psicologia analítica e supervisionou estágio clínico na abordagem junguiana, reunindo um bom grupo de alunos interessados em psicologia analítica. Mesmo após sair da FAVI em 2006, a prof. Angelita continuou ministrando cursos junguianos e coordenou uma iniciativa interessante chamada “Grupo Papeando com a Psicologia” de 2008 a 2012, que eram encontros temáticos abertos a qualquer pessoa onde se discutiam os temas de forma acessível e clara a todos os interessados. Após, o término do Grupo Papeando[5], a prof. Angelita continuou ministrando cursos e dando aulas em pós-graduação.

Não podemos deixar de citar o Instituto Fênix, fundado pela artista plástica e Arteterapeuta Glicia Manso. O Instituto Fênix tinha como ênfase a especialização/ formação em arteterapia, contudo, sempre ofereceu cursos e atividades junguianas com professores locais e outros vindos de fora. Durante os anos 2000, o Instituto Fênix, buscou uma parceria com o Instituto Jung do Rio de Janeiro, para trazer uma especialização em psicologia analítica, que infelizmente não ocorreu.

Em 2006 tivemos um marco importante, com início em Vitória o curso de pós-graduação em “Teoria e Prática Junguiana”, em grande parte ministrada por professores analistas junguianos da IAAP (Alguns da SBPA e outros da AJB), pela Universidade Veiga de Almeida (UVA) do Rio de Janeiro. Essa pós-graduação capacitou vários profissionais aqui do ES. A partir dessa especialização, o pensamento junguiano se expandiu para outras faculdades, como a Unilinhares (Atual Pitágoras) com a Prof. Valéria Felisberto Fiorot no município de Linhares. Em Vitória, nas Faculdades Integradas São Pedro (FAESA) com a Prof. Ms Isabelle Santos Eleotério, que passou a ministrar disciplinas junguianas, assim como supervisionar estágio clinico na abordagem junguiana.

Juntamente com a pós-graduação em 2007 alguns alunos da pós-graduação em “teoria e prática junguiana” iniciaram um processo de abertura de uma “Associação Junguiana no Espirito Santo”, incialmente chamada de AJES. Pela associação, foram realizados poucos cursos, mas, como não houve um interesse maior um envolvimento das pessoas, a Associação foi dissolvida em 2011.

Em novembro de 2009 foi realizado pelo Programa Portas e coordenado pela Prof.Dra. Kathy Marcondes, o I Congresso Estadual de Psicologia Analítica, que contou com a participação do Prof. Dr. Maddi Damião Jr, membro da SBPA, e professor da UFF como palestrante principal. O I Congresso marcou a consolidação das atividades junguianas no ES.

 

Anos 2010: Consolidação

Ao longo dos Anos 2000, muitas atividades foram realizadas, muitos profissionais foram amadurecendo e a clínica junguiana começando a ter mais visibilidade.

Em março de 2010, Fabrício Fonseca Moraes criou o blog “Jung no Espirito Santo”, que surgiu do incomodo de ter tantas páginas que associavam Jung ao esoterismo. Assim, o projeto “Jung no Espirito Santo” surgiu como uma opção para se falar de Jung com um viés clássico e respeitando o pensamento junguiano. O “Jung no Espirito Santo” se tornou uma referência em psicologia junguiana capixaba na internet. Em 2017 o projeto “Jung no Espirito Santo” iniciou um processo de incorporação ao Centro de Psicologia Analítica do ES (CEPAES).

Seguindo a iniciativa do Congresso Estadual de Psicologia Analítica, foram realizados o II Congresso Estadual em (2011) na UFES sob a organização da profa. Kathy Marcondes e o III Congresso Estadual em (2014) na FAESA com a organização da profa. Isabele Santos Eleotério.

Em 2012 surgiu o grupo de estudos “Aion-Estudos Junguianos”, em atividade até o presente, sob a coordenação de Fabricio Fonseca Moraes, reunia psicólogos e estudantes de psicologia. Na UFES ocorreram cursos de introdução em psicologia analítica com Rafaela Feijó de Oliveira, psicóloga do Instituto de Doenças Renais e colaboradora do Portas.  

Outros profissionais ocuparam novos lugares acadêmicos como o prof. Ms Raphael do Amaral Vaz, mestre em Psicologia na PUC-SP, deu aulas na FAEV e na Multivix, oferecendo disciplinas e estágio supervisionado em psicologia analítica.

Vale a pena destacar nesses espaços acadêmicos Profa.Ms Kelly Guimarães Tristão ofereceu disciplina e estágio supervisionado na UNES (atual Multivix) em Cachoeiro de Itapemirim no período de 2011/2013. Posteriomente, em 2015, a Prof.Kelly Tristão se tornou a primeira doutoranda a realizar pesquisa com referencial teórico junguiano no Programa de Pós-graduação em Psicologia (PPGP) da UFES.

Nesse interim, o movimento junguiano vem se desenvolvendo e ganhando vitalidade, temos vários junguianos nos programas de mestrado e doutorado, alguns são professores mas, sem o enfoque diretamente junguiano.

Teve início em 2014 uma pós-graduação em psicologia analítica oferecida pela Capacitar- NH. Foram duas turmas realizadas aumentado a procura e visibilidade da psicologia junguiana.

O ano de 2016 terminou junto com o final de uma era na UFES, pois, a prof. Kathy A. Marcondes se aposentou e encerrou o programa portas. Essa despedida foi marcada pelo IV Congresso Estadual de Psicologia Analítica que contou com profissionais de outros estados como a Professora Ms. Sandra Amorim (SP), a analista junguiana do Instituto Jung de MG e Mestre Solange Missagia Mattos e a psicóloga, analista trainee no Instituto Jung de MG e do International School of Analytical Psychology Zurich ISAP – Zurich, Barbara Lavinski Jardim.  

Palavras finais

Ao fazer esse recorte da história junguiana no ES, sei que pessoas ficaram de fora dessa história e algumas histórias se perderam. Essas são as histórias que ouvi e que vivi. Essa é uma colaboração bem pessoal.

Acredito ser importante resgatar o nome de Helvécio da Siqueira e Silva, assim como de divulgar essa história junguiana capixaba. Em seu livro, “Joca Pivete”, Prof. Helvécio nos lega mais que sua que a narrativa de sua história, ele conta que

- E quando começou a Comunidade Agricola de Gritza, dr. H.?, quis saber Joca Pivete numa manhã.

- Não sei exatamente, Joca Pivete. É uma longa história. Mas na verdade Gritza sempre existiu em todas as partes do mundo e em todos os tempos. Onde quer haja alguém triste e abandonado, onde quer haja alguém transtornado e perseguido, em seu coração nasce e floresce o desejo de encontrar Gritza. Aqui nesta cidade de Campinho nasceu Gritza, num encontro da brisa e de alguns homens. Você sabe, Joca Pivete, o homem raciocina, planeja, organiza, produz e reproduz, realiza, sabe falar, tomar iniciativas e agir. A brisa, porém, que mal tem forças para balançar a ramagem do alecrim, frágil e desarmada, quer ouvir o tempo e dançar ao ritmo das luzes. Ela sabe viver e deixar viver. Os homens amam a brisa em seu frescor matinal ou ao cair a noitinha. Mas o homem se acha muito sério e quer sem cessar raciocinar, organizar, produzir, reproduzir, realizar, falar, tomar iniciativas e agir. Entretanto, a brisa queria que toda humanidade cantasse com ela. E quando sente que as coisas não vão bem em Gritza, ela sopra um pouco mais furiosa, só pra lembrar (...)isto(SILVA, 1987, p. 49)

 

E, ainda hoje essa brisa nos toca, nos acaricia e nos mobiliza. Helvécio foi um dos primeiros a ouvir e cantar com a brisa e nos legou o compromisso a “brisa”, e com a brisa, nosso mito fundador.

                                              

 

Referências Bibliográficas:

SILVA, Helvécio de Siqueira e, Joca Pivete – o Menor Violentado, Ed.Icone: São Paulo, 1987.

 

 

[1] O titulo da tese foi “POUR LES ENFANTS DONT L'ECOLE NE VEUT PLUS: UN TRAVAIL EN EQUIPE INTERDISCIPLINAIRE. (HISTOIRE ET BILAN D'UNE EXPERIENCE MEDICO-SOCIO-PSYCHO-PEDAGOGIQUE)” as poucas informações que temos está disponível em http://boreal.academielouvain.be/lib/item/?id=chamo:696773 visitado em 27 de fevereiro de 2016.

[2]Nome que a Drª Nise usava para diferenciá-lo dos trabalhos repetitivos da Terapia Ocupacional da época

[3]Nessa ocasião, o Curso de Psicologia na UFES ainda não tinha sito implantado.

 

[5] O blog do grupo papeando ainda está disponível. Quem quiser ter uma ideia melhor desse projeto vale a pena visitar https://grupopapeando.wordpress.com/ Acessado em 1 de março 2016.

Fabrício Fonseca Moraes

É psicólogo clínico junguiano. Começou a estudar a psicologia junguiana em 2000. Possui especialização em Psicologia Clínica e da Família (2007) e em Teoria e Prática Junguiana, pela Universidade Veiga de Almeida, RJ (2008). Curso em Hipnose Ericksoniana e em Tanalogia.

É coordenador do “Grupo de Estudos Aion - Estudos Junguianos”, em Vitória/ES desde 2012. Possui experiência com docência em ensino superior (graduação e pós-graduação).

Co-autor do Capítulo “Vida Simbólica: Considerações sobre a Religiosidade no Projeto Saúde-Doença” In: Jung e Saúde: Temas Contemporâneos. (Org.) Sandra Amorim e Fernanda Aprille Bilotta. 1ed. São Paulo: Paco Editorial, 2014.

Atende adolescentes e adultos e realiza supervisão clínica na abordagem junguiana.

Contato:

E-mail: fabriciomoraes@cepaes.com.br

Telefones: (27) 3235-8293 / (27) 9 9316-6985

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